“WHIPLASH – Em Busca da Perfeição” traz show de J. K. Simmons e merecia o Oscar

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EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

(Whiplash)

Direção de Damien Chazelle

EUA, Drama/Suspense, 2014. Duração: 01h46min. Com Miles Teller, J. K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist. Classificação: 12 anos.

Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista, que sonha tornar-se um dos ícones do instrumento. Na verdade, ele tem a ambição (e talvez a presunção) de ser o melhor baterista de todos. Tendo isso em mente, ele consegue ingressar num dos mais cultuados conservatórios musicais dos EUA. Porém, ele vai se deparar com o renomado maestro e professor de música Terence Fletcher (J. K. Simmons), reconhecido tanto por sua extrema capacidade como instrutor quanto por seus métodos psicologicamente terríveis. Com o tempo e sob a pressão implacável exercida pelo mestre, a paixão do rapaz pela música se transforma em uma verdadeira obsessão pela meta de superar cada vez mais seus próprios limites. E isso vai afetar cada vez mais sua saúde mental e física.

Whiplash deveria ter sido o grande vencedor do Oscar de Melhor Filme deste ano – apesar de reconhecermos em Birdman outra obra excelente. O filme é incrivelmente tenso, misturando doses perfeitas de drama e suspense – e tem um final simplesmente arrebatador. J.K. Simmons (de “Homem Aranha” e “Juno”) fez um trabalho primoroso e deu um verdadeiro show, levando tanto o Globo de Ouro quanto o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Porém o protagonista, o jovem ator Miles Teller (que está na série Divergente e no futuro filme do Quarteto Fantástico), também arrebenta em cena, com uma interpretação literalmente visceral. Andrew chega a tocar bateria até sangrar as mãos, e a interpretação de Teller merecia no mínimo indicações de Melhor Ator a esses prêmios já citados. O filme ganhou também prêmios importantes no festival de Sundance, do cinema independente.

Whiplash venceu Oscar de Montagem e Mixagem de Som

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O vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante, J. K. Simmons

Como não poderia deixar de ser, a trilha musical, composta por Justin Hurwitz, é parte do eixo central da estória. Dois dos maiores clássicos do jazz, as músicas “Caravan” e a própria “Whiplash” – que dá nome ao filme – são executadas sempre de maneira contagiante. Os amantes da boa música – e não falo somente dos fãs de jazz – vão adorar a atenção que é dada à qualidade do som e ao modo como a câmera enfoca os instrumentos musicais e os músicos da banda em suas performances. Essas técnicas adotadas evidenciam na tela tanto a elegância inconfundível do jazz quanto a busca obsessiva pela perfeição de Andrew, através de trucagens de câmera que nos deixam sem fôlego.

Não é à toa que o filme levou com muito merecimento também os Oscars de Melhor Mixagem de Som e Melhor Montagem. Além disso, o roteiro tem o mérito de conceder à música uma importância muito maior do que o simples fato dos personagens serem músicos; a música é elemento fundamental da composição do nível de tensão crescente que a estória adquire até seu final.

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Miles Teller vive o jovem e ambicioso baterista Andrew

Novato diretor tem futuro brilhante pela frente

Mas o filme não seria o primor que é se o diretor não fosse capaz de conciliar bem todo esse refinamento técnico em equilibrar a parte musical com as atuações excepcionais de dois atores em plena forma. Por isso, impressiona saber que o jovem Damien Chazelle, um rapaz de apenas 30 anos de idade, tem em Whiplash apenas seu segundo trabalho como diretor e, de quebra, também ser o responsável pelo roteiro. E ao término do filme não há como não lembrar bastante de outro sucesso recente, marcado pela construção do clima de tensão crescente e obsessão compulsiva em ser o melhor de todos: o ótimo “Cisne Negro”, de Darren Aronofsky. Até mesmo a cena final também é emblemática e finaliza o filme com chave de ouro.

Whiplash é, portanto, um filme surpreendentemente poderoso, impactante, que prende o espectador de maneira irresistivelmente tensa do início ao fim e ainda por cima tem uma trilha sonora simplesmente perfeita. Com um orçamento modestíssimo de pouco mais de 3 milhões de dólares (arrecadou cerca de US$ 14 milhões em bilheterias), mas muito empenho e principalmente competência em não mais que 20 dias de filmagens, todos os profissionais aqui envolvidos, sem dúvida nenhuma, conseguiram produzir uma pequena jóia cinematográfica.

NOTA CINEMAIMERI – 9.0 ****


 

Assista o trailer oficial de WHIPLASH, com legendas em português:

Whiplash – Em Busca da Perfeição | trailer legendado | 8 de janeiro nos cinemas

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