TOMORROWLAND é cheio de boas intenções, mas não passa de peça publicitária da Disney

Tomorrowland movie

tomorrowland_poster2TOMORROWLAND

Direção de Brad Bird

EUA, Aventura / Ficção, 2015. Duração: 02h10. Com George Clooney, Britt Robertson, Hugh Laurie e Raffey Cassidy. Classificação:10 anos.

Assim como já ocorreu antes com enorme sucesso com a franquia Piratas do Caribe, esta aventura juvenil é inspirada numa das atrações temáticas dos parques da Disney, a “Terra do Amanhã” – que aliás é a tradução do título do filme em inglês, e não “um lugar onde nada é impossível”. O cineasta Brad Bird (dos excelentes “Os Incríveis”, “Ratatouille” e “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma”) retrata aqui um futuro utópico, fantástico e altamente tecnológico, um lugar muito melhor para se viver do que outras megaproduções do cinema preconizam ser o nosso futuro – como o deserto inóspito de Mad Max ou o mundo dominado pelas máquinas de Matrix ou Exterminador do Futuro.

George Clooney interpreta Frank Walker, um inventor rabugento e desiludido com a vida que, quando garoto, esteve em Tomorrowland com suas invenções, mas não tem a menor vontade de voltar. A trama começa quando Casey Newton (Britt Robertson), uma jovem e inteligente adolescente interessada por ciências, encontra um enigmático broche que ao ser tocado permite que a pessoa transporte-se instantaneamente para outro mundo – chamado Tomorrowland. Em busca de respostas, ela então procura Frank para saber mais sobre a Tomorrowland de hoje – um mistério que envolve realidades paralelas em algum lugar no tempo e no espaço. Athena (Raffey Cassidy) é a garota robô de Tomorrowland que Frank conhece desde a infância e que acompanha a dupla numa aventura que mudará o mundo e a vida deles para sempre.

Atração "Tomorrowland" em um dos parques da Disney
Atração “Tomorrowland” em um dos parques da Disney

Filme está mais para propaganda do que longa de ficção

Claramente, o roteiro busca contrapor a descrença no futuro – arraigada em toda a amargura do personagem de Clooney – com a garra e a obstinação de Casey, uma garota adolescente que não desiste nunca, encara tudo com otimismo e jamais perde a esperança num futuro melhor para a humanidade. Ou seja, mais uma personagem feminina de muita fibra e coragem, como temos visto constantemente em outros filmes recentes – vide a animação Valente da Pixar, a Katniss Everdeen de Jogos Vorazes ou mesmo a Imperatriz Furiosa do novo Mad Max, por exemplo.

O problema é que, com o desenrolar da estória, cada vez mais começa a tomar conta do espectador a sensação de que não estamos assistindo um filme, mas sim uma peça publicitária em forma de longa-metragem. A impressão que fica é que “os jovens podem mudar o mundo”, sim – mas antes têm que dar um pulinho em algum dos parques de diversão da Disney espalhados pelo planeta.

Infelizmente, esse viés propagandista compromete totalmente qualquer proposta bem-intencionada de Tomorrowland. O que poderia ser uma aventura interessante envolvendo os personagens de Casey e Frank se reduz apenas a pequenas boas idéias lançadas para nos seduzir – o clima de mistério e fantasia bem construído, as invenções inusitadas, as armas gigantescas. Só que tudo desemboca numa mensagem como que dizendo que “só na Disney você encontra este mundo perfeito com que sempre sonhou”. Sacaram ??

Hugh Laurie tem atuação decepcionante

tomorrowland_movie_2De maneira geral o elenco todo está bem, sem nada de mais a destacar, tanto nas interpretações das jovens Britt Robertson e Raffey Cassidy como do também produtor George Clooney. Apenas Hugh Laurie decepciona, ele que a princípio poderia servir de chamariz para o filme – pelo grande carisma de seu recente papel de sucesso na série “House” – mas acaba destoando para baixo numa interpretação convencional e sem brilho nenhum.

A crítica não tem feito muitos elogios ao filme no exterior (teve índice de 49% no Rotten Tomatoes e nota 6.8 no IMDb). Custou a fábula de 190 milhões de dólares e por enquanto arrecadou no mundo cerca de US$ 135 milhões em cerca de duas semanas de exibição. Num olhar superficial, “Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível” tem boas intenções ao trazer mensagens de otimismo e esperança no futuro da humanidade – e quando quer se comportar apenas como filme de aventura, em algumas passagens até funciona bem. Só que, numa análise mais atenta aos detalhes implícitos, além daquela irritante conotação maniqueísta de “bem contra o mal” que marca a imensa maioria dos filmes da Disney, temos aqui o grave defeito de tratar o longa como gigantesca peça de autopromoção publicitária – o que é imperdoável.


 

Assista três trailers oficiais do filme TOMORROWLAND:


TRAILER OFICIAL #3 – LEGENDADO

Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível (4 de junho nos cinemas)


TRAILER OFICIAL #2 – LEGENDADO

Trailer 2 Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível (4 de junho nos cinemas)


TEASER TRAILER – LEGENDADO

Teaser Trailer Tomorrowland - Terra do Amanhã (4 de junho nos cinemas)

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