“Terremoto – A Falha de San Andreas” é filme-catástrofe que não tem vergonha de si mesmo

san_andreas_poster2TERREMOTO
A FALHA DE SAN ANDREAS
(San Andreas)

Direção de Brad Peyton

EUA, Drama / Ação, 2015. Duração 01h54. Com Dwayne Johnson, Carla Cugino, Alexandra Daddario, Paul Giamatti, Kyllie Minogue, Ioan Gruffuf, Colton Haynes, Archie Panjabi, Hugh Johnstone Burt, Art Parkinson. Classificação: a definir.

Para quem não sabe, cabe aqui uma explicação geográfica: toda a Costa Oeste dos EUA (incluindo grandes cidades como San Francisco, Oakland, San Diego e Los Angeles) “repousa” sobre placas tectônicas sobrepostas irregularmente entre si – a chamada “Falha de San Andreas”, que já foi explorada no cinema algumas vezes (como em “Terremoto”, de 1974, e “Superman”, de 1978), mas que aqui literalmente dá nome ao filme, no que seria uma espécie de “antevisão” do que pode realmente acontecer naquela região caso ocorra um terremoto de nível 9 na escala Richter.

O filme – que estreia nesse último fim-de-semana de maio nos cinemas – é protagonizado pelo ator Dwayne “The Rock” Johnson, que aqui interpreta um bombeiro, piloto de helicópteros de resgate, que anda aborrecido porque a ex-mulher (Carla Gugino, do ótimo “Olhos de Serpente”) vai casar-se novamente e mudará de cidade levando consigo a filha de ambos (Alessandra Daddario, dos filmes de Percy Jackson). Porém, todos se envolvem novamente quando a chamada “Falha de San Andreas” eclode e espalha destruição por toda a costa californiana e parte do estado de Nevada.

san_andreas_banner4Como era de se esperar, todos os clichês estão aqui presentes: Johnson é retratado como aquele herói carismático e infalível, imune a qualquer tipo de risco; temos também o cientista renomado que previu tudo antes e ninguém deu bola (o ótimo Paul Giamatti), o ricaço covarde que só quer saber de salvar a própria pele (Ioan Gruffuf), o casal separado que se reconcilia depois dos efeitos da tragédia, a mocinha destemida que luta bravamente por sua vida, a criança salva no último instante etc. Porém, apesar desses clichês de sempre, o elenco tem o mérito de conseguir fazer com que simpatizemos com suas jornadas, o que ajuda a favorecer a impressão geral sobre o filme.

Mas sem dúvida, o grande atrativo do longa são seus efeitos visuais feitos por computação gráfica, todos eles espetaculares, grandiosos e de grande perfeição técnica. Com o terremoto (ou melhor, OS terremotos, porque ocorrem dois grandes tremores de terra durante o filme), há uma sucessão de tsunamis, desabamentos colossais de prédios inteiros, pessoas desesperadas pelas ruas tentando se proteger dos destroços, carros, carretas e ônibus sendo lançados no ar como brinquedos e até um navio transatlântico sofrendo os efeitos do poder da natureza – tudo muito exagerado, e sempre de maneira proposital, é claro.

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A direção é do ainda novato Brad Peyton, que tem apenas dois filmes meia-boca no currículo (“Como Cães e Gatos 2” e “Viagem ao Centro da Terra 2”). Aqui, Peyton se sai bem de maneira geral, com a parte mais fundamental do filme – as cenas de destruição – valorizadas ainda mais em muitas cenas por planos mais amplos, que comprovam o tamanho de toda a destruição.

Porém, o roteiro poderia ser mais cuidadoso ao valorizar essas cenas de ação com a criação de um “clima” ou de suspenses prévios aos acontecimentos, que apesar de espetaculares visualmente, são jogados na tela um após o outro, desperdiçando oportunidades de provocar maior tensão no espectador e não apenas impressioná-lo pela sua grandiosidade e perfeição técnica. Já os arcos dramáticos, como era de se esperar, são mal-desenvolvidos, frágeis e confusos, o que geralmente ocorre nesse tipo de filme, que privilegia muito mais as cenas de ação do que o desenvolvimento dos personagens.

O fato do roteiro assumir desde o início os propósitos do filme – escancarar visualmente os efeitos de uma catástrofe sem precedentes – torna essa produção mais honesta do que outras baboseiras pretensiosas que se veem por aí. Claro que a estória carrega consigo altas doses de sentimentalismo barato e clichezado, mas isso não incomoda a ponto de comprometer o filme, principalmente se o encararmos unicamente como diversão baseada na experiência visual.

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Assistir “Terremoto – a falha de San Andreas” no cinema quase equivale a embarcar numa montanha-russa: vá ao cinema consciente que assistirá um filme-catástrofe onde praticamente todas as cenas são inverossímeis, mas com grandes efeitos especiais, todos eles muitíssimo bem-feitos – e que ficam ainda mais espetaculares com a ajuda do IMAX e do 3D (alguns poucos cinemas estão exibindo o filme no que chamam de “4D”, que na verdade são aquelas poltronas que se mexem por todos os lados e chacoalham conforme os acontecimentos na tela – elas dispõem até de um botão situado no apoio de braço, para você escolher ligar ou desligar os jatos d’água na sua cara !!). Isso é o que se pode chamar de imersão total, sem dúvida.


 

Veja abaixo os trailers oficiais de “TERREMOTO – A FALHA DE SAN ANDREAS”


TRAILER OFICIAL #3 LEGENDADO

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=kcZY2heOn-Y]


TRAILER OFICIAL #2 LEGENDADO

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Da1gCHBwrMI]


TRAILER TEASER #1 LEGENDADO

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=nuHbHfdfuBc]

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