Romance baseado em livro de Nicholas Sparks mistura estórias de amor do passado e do presente

longajornada-cartazUMA LONGA JORNADA
(The longest ride)

Direção de George Tillmann Jr.

EUA, Romance, 2014, 02h19. Com Britt Robertson, Scott Eastwood, Jack Huston, Oona Chaplin e Alan Alda. Classificação: 12 anos.

O público cinéfilo (certamente 90% mulheres) que aprecia as clássicas estórias de amor certamente ficaria empolgado em saber que Uma Longa Jornada, filme que estréia nesse feriado prolongado de Dia do Trabalho, é baseado em mais um aclamado romance do escritor Nicholas Sparks. Infelizmente, porém, esse filme não tem o mesmo brilho de outras produções adaptadas de obras do autor, e parece enquadrar-se mais entre aqueles longas em que, ao término da sessão, concluímos que “o livro é bem melhor que o filme”.

Sophia (a bela Britt Robertson) é uma estudante de artes que conhece Luke (Scott Eastwood, filho do consagrado Clint), um peão de rodeio que acaba de se recuperar de uma lesão. No primeiro encontro do casal, eles se deparam com um acidente de carro na estrada; enquanto ele salva um senhor idoso, Sophia dá atenção ao outro homem ferido, que traz consigo uma caixa que é resgatada junto com ele.

Este homem é Ira (Alan Alda, quando idoso, e Jack Huston, quando jovem), que logo desenvolve uma amizade com Sophia, pois esta adquire o hábito de visitá-lo. Com o tempo, ela descobre que a caixa estava cheia de cartas sobre a estória de amor entre Ira e sua falecida esposa Ruth (Oona Chaplin). Sophia resolve então entreter e distrair o amigo, lendo as cartas de Ira em voz alta, e assim o filme vai nos revelando uma estória de amor que literalmente rouba a cena, transportando-nos para um cenário dos anos 1940, onde acompanhamos o desenrolar de um amor delicado e ao mesmo tempo trágico.

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Temos aqui um roteiro que já existiu numa boa leva de outros filmes: a recriação de um grande amor contando e recordando estórias do passado dos personagens. Porém, o roteiro faz questão de alternar-se entre contar a estória contemporânea entre Sophia e Luke (um casal desequilibrado, que vive um amor frágil e raso, em que claramente ela é muito mais dedicada ao romance do que ele), com a estória de amor que recordamos do passado, através da leitura das cartas de Ira (muito mais envolvente, e que sem dúvida nenhuma atrai toda a real atenção do espectador).

O filho de Clint Eastwood, aliás, faz um cowboy bicho-do-mato quase insuportável, que simplesmente não dá a menor bola para os conselhos de sua namorada, e ficamos sem entender o que uma moça doce e com altos requintes artísticos enxergou num rapaz tão troglodita e diferente do que ela está acostumada a lidar.

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Isso tudo nos leva a concluir que tanto os roteiristas quanto o diretor George Tillman Jr. (do infinitamente melhor Homens de Honra) fizeram pouco caso do público ávido por estórias românticas, tipo aquelas de amor incondicional que supera barreiras (sim, tem muita gente que ainda se emociona e busca esse tipo de romance).

Com meia-hora de filme, fica nítido que Ira servirá como uma espécie de “professor de amor” para Sophia, que ao ler seus textos tem em mãos uma verdadeira “cartilha” sobre como se comportar com o namorado para ao final ser consagrada com a mesma “linda história de amor” contida nas cartas que lê. E todos nós sabemos que estórias de amor não se constroem assim – cada uma tem suas sutilezas e circunstâncias que as fazem especiais e diferentes entre si.

No final, o abismo de emoções existente entre a empatia que sentimos pelo romance do casal dos anos 40 com a repulsa e falta de interesse despertados pelo romance entre o casal atual, resulta num filme desequilibrado, que só não é um desastre completo justamente porque o inconvincente romance moderno apenas ressalta ainda mais a beleza e a profundidade sincera da encantadora estória de amor relatada entre Ira e Ruth.

 


Veja abaixo o trailer legendado do filme “Uma Longa Jornada”:

 

TRAILER OFICIAL LEGENDADO

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=qLZHHWgRrKg]

 

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