Público nos cinemas do Brasil é o menor em 5 anos e fica abaixo de 90 milhões

Público de cinema no Brasil é o menor em 5 anos

Como se sabe, ano passado trouxe o mega-sucesso Tropa de Elite, que teve uma fabulosa quantidade de DVDs piratas inundando o mercado antes mesmo do lançamento nos cinemas. Por ironia, esse filme pode ter sido um dos grandes responsáveis pelo ano ter terminado com um público total de 88,6 milhões de espectadores (número de ingressos vendidos nas salas). Isso representa uma queda de quase 3% em relação a 2006 e, mais que isso, significa que o público nos cinemas do Brasil em 2007 foi o menor em 5 anos. Desde 2002, o número total de espectadores nos cinemas do país sempre ficou acima dos 90 milhões.

Tropa de Elite
Wagner Moura em TROPA DE ELITE

A parcela de espectadores obtida pelos filmes nacionais (9,8 milhões, sendo um quarto deles por Tropa de Elite) representa apenas 11% do mercado – os filmes estrangeiros tiveram 78,8 milhões de espectadores. Homem-Aranha 3 liderou o ano com cerca de 6 milhões de espectadores. Apesar da diminuição de público, a renda total (R$ 707 milhões) registrou um aumento de quase 1% em relação ao ano passado, em virtude da cobrança de ingressos mais caros.

Ingresso de cinema subiu 60% em 10 anos

A principal explicação para a queda de público nos cinemas do Brasil em 2007 pode estar no valor cobrado pelo ingresso. Há dez anos atrás, o preço médio de um ingresso de cinema no Brasil era de R$ 5,15. Hoje, segundo as exibidoras, é de R$ 8,00 – um aumento de 60%. Na opinião do presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro, Jorge Peregrino (Paramount Pictures), os números indicam uma estagnação do mercado cinematográfico nacional.

“No Brasil, o preço do ingresso é artificialmente caro, por causa da meia-entrada para estudantes. No final, o sujeito pensa duas vezes antes de ir ao cinema”, diz o presidente do sindicato. O distribuidor classifica o ingresso de “artificialmente caro” porque existe uma disseminação na venda de meias-entradas, através do uso de carteirinhas falsas, por exemplo. Dado o uso de carteiras indevidas por parte de quem não é estudante, é minoritária a parcela de espectadores que paga o valor inteiro do ingresso.

Esse fenômeno, na avaliação do presidente da Cinemark International, Valmir Fernandes, “é o câncer do entretenimento no Brasil” e seria o responsável por afastar dos cinemas a população de baixa renda. “Enquanto a minha filha, que possui um iPod e viaja para a Disney, tem acesso a tudo e paga meia-entrada nos cinemas, a minha empregada doméstica paga inteira. Desse jeito, não há como querer aumentar o público e a participação das classes C e D no mercado”, diz ele.

MinC diz estar atento ao mercado

Pirataria de DVDsO secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin, diz que “é procedente o argumento” dos exibidores sobre o efeito prejudicial da proliferação indevida de carteiras de estudante. Segundo o secretário, isso causa um “desequilíbrio nas condições” do negócio. No entanto, ele observa: “O crescimento da renda mostra que os exibidores têm se compensado com o aumento do preço médio do ingresso. Isso também é um processo perverso, porque elitiza cada vez mais o público cinematográfico”.

O secretário diz que o governo está atento às “transformações do espetáculo cinematográfico, de maneira a continuar protegendo o conteúdo brasileiro no nosso mercado”. Embora o governo adote mecanismos como a cota de tela (que fixa número de dias de exibição obrigatória de filmes nacionais nas salas), o exibidor Leon Cakoff identifica “falta de vontade política para fazer com que o cinema brasileiro vá ao encontro de suas platéias”.

Fato é que, na prática, ir ao cinema hoje em dia com a namorada ou a esposa, por exemplo, é absurdamente caro. Atualmente 80% das salas de cinema são localizadas em shopping centers, onde um ingresso custa em média R$ 15 (total de R$ 30 para um casal). Adicionando a esses ingressos uma refeição básica na praça de alimentação e o custo do estacionamento, chega-se a um valor em torno de R$ 60 a R$ 70, que é absolutamente proibitivo. Compensa muito mais alugar DVDs nas locadoras ou comprar filmes piratas no mercado alternativo. Não recomendamos essa prática, porém é inegável que é infinitamente mais vantajosa na relação custo x benefício.

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