KING KONG de Peter Jackson é homenagem quase perfeita ao original de 1933

King Kong (2005)

King Kong (2005) movie posterKING KONG (2005). Aventura/Romance, 2005, 12 anos. Direção de Peter Jackson. Com Naomi Watts, Adrien Brody, Jack Black e Andy Serkis. Duração 03h07min.

Esta nova refilmagem do clássico original de 1933 é sem dúvida nenhuma a mais bem-feita, competente e completa já realizada por Hollywood. Supera na maioria dos aspectos a produção de Dino Di Laurentis, que já havia feito grande sucesso nos cinemas em 1976. O diretor neo-zelandês Peter Jackson, após ganhar notoriedade (e muitos prêmios) por ter feito a trilogia O Senhor dos Anéis, acumulou cacife junto à produtora New Line Cinema. Logo após concluir a saga do anel, finalmente conseguiu levar aos cinemas a estória que, segundo ele mesmo disse à época, o fez querer ser cineasta quando criança.

Merecidamente, o longa ganhou três dos quatro Oscars a que concorreu: Melhor Edição de Som, Melhores Efeitos Sonoros e Melhores Efeitos Visuais. Realmente, assistir esse filme no cinema com som THX ou num home-theater com uma bela tela widescreen é uma experiência fantástica. Visualmente falando o filme é esplêndido, e o som é tecnicamente perfeito em todas as suas nuances. Apenas a Direção de Arte, apesar de também belíssima, não levou o Oscar, mesmo com a perfeita ambientação da cidade de Nova York nos anos 1930.

Nova York (1933)

King Kong (2005) tem ambientação fiel da NY de 1933

Foi justamente essa ambientação de Nova York que deu um toque especial ao filme, numa decisão ousada e corretíssima do diretor. O King Kong de Jackson não é uma refilmagem ambientada nos dias atuais, como ocorreu no primeiro remake, de 1976. Jackson preferiu “colorir” a atmosfera do original em preto-e-branco de 1933, contada nos mínimos detalhes, com maior desenvolvimento da estória e o uso de efeitos especiais fantásticos. O resultado é de cair o queixo. Somos transportados para a década de 1930 e mergulhamos no ambiente e nas sensações que os personagens teriam sentido com a presença daquele símio enorme em plena big apple.

O Kong interpretado por Andy Serkis pelo sistema de captura digital de pontos é outro trunfo do filme. As primeiras cenas em que Kong aparece, quando se diverte com a personagem de Naomi Watts como se ela fosse uma boneca e caminha pela selva da Ilha da Caveira, são realmente impressionantes. Os movimentos do gorila gigante, e principalmente suas expressões faciais, são fantasticamente bem-feitos e executados. E o macaco não é exageradamente grande como no filme de 1976, além de mover-se com os braços no chão e agachado – dois aspectos que podem parecer detalhes, mas deixaram Kong muito mais realista.

Naomi Watts em King Kong (2005)

Diretor Peter Jackson exagerou em alguns aspectos

Tecnicamente portanto, o filme é perfeito (o que justifica plenamente seus 3 Oscars técnicos). Mas alguns outros pontos deixaram um pouco a desejar. Nem tanto em relação ao elenco, que traz atuações bem irregulares. Jack Black (O Amor é Cego) foi muito bem como o cineasta ambicioso e egoísta (é a melhor interpretação do filme, de longe). A protagonista feminina, Naomi Watts, faz uma heroína que, se não arrebata em cena, também não compromete (as cenas finais no Empire State Building são sua melhor passagem). Neste aspecto, a musa de Kong no filme de 1976, Jessica Lange, leva vantagem. Mas ver Adrien Brody (O Pianista) como o mocinho que se contrapõe à figura imponente de Kong não colou. O personagem não é o tipo de Brody, que é um ótimo ator mas não convenceu nem um pouco como antagonista do macacão gigante. Um aspecto bastante destoante do filme.

Outro item que pesa contra é o lenga-lenga de algumas cenas – desnecessariamente longas – e o exagero dos produtores em esbanjar e demonstrar sua capacidade de produzir efeitos especiais. Tudo isso reunido fez com que o filme superasse as 3 horas de duração, o que no caso dessa estória não se justifica, absolutamente. Para se ter uma idéia, Kong demora mais de uma hora para aparecer em cena. Peter Jackson quis ser perfeccionista demais em sua caracterização, e algumas vezes desandou com a maionese, criando passagens que em nada acrescentam à estória. O exemplo que mais incomoda é a cena do embate dos aventureiros contra as criaturas no mangue, que além de apenas servir pra encher linguiça, é extremamente de mau-gosto.

King Kong (2005)

Temos também a luta de Kong contra os dinossauros na selva. Apesar de divertida, demora demais e acaba ficando um pouco cansativa. Isso para não falar da estúpida cena da manada de dinos correndo pelo vale e perseguindo os aventureiros: uma cena risível, patética, e com partes gritantemente falhas no acabamento visual.

Mas no geral esse King Kong é um filmaço, apesar da duração um pouco exagerada e de alguns aspectos problemáticos. Supera de longe os dois anteriores, e talvez se consolide com o tempo como a “versão definitiva” da bela estória de amor entre Kong e uma jovem. Aliás, o “romance” entre ambos foi muito bem desenvolvido no roteiro, com sensibilidade, diria até uma certa dose de candura, fazendo com que a gente “torça” de verdade para que eles fiquem “juntos” – mais uma estória de amor impossível.

Nota CINEMAIMERI – 9.0 ****

 

Assista o trailer original de KING KONG (2005) em inglês (sem legendas):

King Kong Official Trailer #1 - Jack Black Movie (2005) HD

 

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