Com INTERLÚDIO (Notorious), Hitchcock traz espiões nazistas para o Rio de Janeiro

Interlúdio

Interlúdio poster“Interlúdio”, primeiro filme do mestre do suspense feito após o final da Segunda Guerra Mundial (1946), também é conhecido pelo seu nome original (Notorious). Cary Grant faz seu segundo filme com Hitch (após Suspeita, de 1941) e  contracena com a estrela Ingrid Bergman. Alguns anos antes, ela havia feito o clássico Casablanca, assim como o ator Claude Rains, que também está no elenco.

A trama do filme mistura romance e espionagem, bem ao gosto de Hitchcock. Após seu pai alemão ser condenado como espião, uma bela moça (Bergman) passa a se refugiar na bebida e em companhias masculinas. É assim que se aproxima de um agente do governo norte-americano (Grant), que a chantageia para se tornar uma espiã dos EUA no Rio de Janeiro. Lá eles acreditam que nazistas amigos do pai dela estão refugiados e operando clandestinamente. Ela então se casa com um desses espiões nazistas (Rains), suspeito de chefiar a organização – e que por acaso é seu ex-namorado. Mas em meio a isso tudo, ela acaba se apaixonando pelo americano que a chantageia – e para complicar ainda mais, é correspondida por ele.

Interlúdio

O filme tem boas sequências de suspense, especialmente do meio para a frente. Destaques para a cena no Hipódromo e para a angustiante sequência na adega durante uma festa de gala, em que a traição da personagem de Bergman é descoberta pelo marido – tipicamente Hitchcockiana.

Até por ter sido produzido numa época ainda muito conturbada, boa parte do filme foi filmada no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro (porém a cinematografia não deixa isso muito evidente). Apesar de não se equiparar ao nível das grandes obras-primas dirigidas por Alfred Hitchcock, “Interlúdio” sem dúvida é um filme bem acima da média na carreira do diretor britânico.

Nota CINEMAIMERI – 7.5 – ***


Veja abaixo o trailer original de INTERLÚDIO (em inglês – sem legendas):

Notorious (1946) - Theatrical Trailer

1 Comentário

  1. O mais legal em Hitchcock é justamente o que o filme não mostra, o que não aparece. É o que inspira, o que desperta em quem o vê. Nem sempre é consciente, mas é sempre provocante. Não tem como ficar indiferente. Para quem gosta do estilo (eu adoro!), talvez a emoção varie de um para outro, mas não há como ficar indiferente. ele sabe incomodar de algum jeito, tocar onde não gostamos muito de mexer, no que não entendemos. Por isso é tão intrigante. Acho o máximo, sem par na história do cinema.

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