Êxodo – Deuses e Reis impressiona visualmente, mas não tem alma

Exodus-Gods-and-Kings-Poster-7ÊXODO – DEUSES E REIS
(Exodus – Gods and Kings)

Direção de Ridley Scott

EUA, Épico, 2014. Com Christian Bale, Ben Kingsley, Joel Edgerton, John Turturro, Adam Paul, Sigourney Weaver e Tara Fitzgerald. Duração: 02h22. Classificação: 14 anos.

O diretor Ridley Scott parece seguir a mesma cartilha de seu colega norte-americano Clint Eastwood: definitivamente a idade avançada não o impede de trabalhar cada vez mais, seja dirigindo filmes ou apenas os produzindo – ele é dono da Scott Free Produtions, que será responsável pelos vindouros Blade Runner 2 e Alien 5. Com a direção de Prometheus 2, previsto para estrear até 2016, Scott chegará ao seu 25º filme dirigido – um número respeitável, considerando que está chegando aos 40 anos de carreira. Porém, seus filmes mais celebrados são de seus primeiros anos de trabalho na direção, e já há algum tempo o inglês parece trabalhar numa espécie de “piloto automático” – e essa característica mais uma vez se manifesta aqui em sua produção mais recente, Êxodo – Deuses e Reis, um filme irregular, que por vezes contagia e em outras dá sono.

Anos depois do excelente Gladiador (2000) e do apenas razoável Cruzada (2005), o diretor volta aos épicos, desta vez dirigindo uma espécie de refilmagem do mega-clássico Os Dez Mandamentos (1956), dirigido por Cecil B. de Mille, que ficou famoso pelas interpretações soberbas e marcantes de Charlton Heston como Moisés e Yul Brynner como Ramsés, além dos primorosos efeitos especiais, como a inesquecível cena da travessia do Mar Vermelho. Aqui o roteiro segue mais ou menos o mesmo caminho adotado pelo clássico de quase 60 anos atrás.

O início do filme, mostrando os dois irmãos ainda próximos e amigos, é convencional e por vezes arrastado, mas o filme melhora muito quando surgem as pragas bíblicas, em que os efeitos especiais começam a aparecer na tela. As tomadas panorâmicas e laterais de câmeras são precisas para mostrar também as batalhas sangrentas e os cenários grandiosos, com construções gráficas impressionantes que retratam fielmente o Egito antigo.

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Christian Bale convence bem como Moisés, numa interpretação que é correta, mas sem impressionar. Seu personagem é um homem cego por sua fé e obcecado em realizar o que lhe foi destinado, ao mesmo tempo que parece duvidar o tempo todo de si mesmo, com fortes conflitos internos em relação às ordens e idéias punitivas de Deus. Uma ressalva aqui para um comportamento um tanto quanto à frente de seu tempo por parte do Moisés de Bale, o que pode causar alguma estranheza no espectador mais conservador.

Já o intérprete do filho do faraó Ramsés, o ator australiano Joel Edgerton, tem atuação e caracterização bastante discutíveis, para dizer o mínimo, principalmente se comparada à presença de cena de Yul Brynner no original de 1956.

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O filme custou 140 milhões de dólares e apesar de “se pagar” nos cinemas, onde arrecadou cerca de R$ 267 milhões nas bilheterias mundiais, seu desempenho ficou muito abaixo do que a Fox esperava – ficando inclusive cerca de US$ 100 milhões abaixo de outro épico que estreou no ano passado, o filme Noé do estúdio concorrente Paramount, dirigido por Darren Aronofsky. “Êxodo – Deuses e Reis” impressiona tecnicamente, possui atuações de forma geral razoáveis, tem um roteiro que cumpre razoavelmente bem sua tarefa de contar bem a estória, mas infelizmente parece não ter alma nem “coração”, o que se considerarmos o episódio histórico que o filme busca retratar acaba depondo contra o resultado geral e ofuscando bastante sua inegável competência técnica de realização.


 

Veja abaixo o trailer oficial de “Êxodo – Deuses e Reis” com legendas em português

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=jexNaaN6v04]

 

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