DURO DE MATAR I e II (1988 / 1990): John McLane eleva o patamar dos filmes de ação

Duro de Matar

Duro de MatarBruce Willis já era conhecido nos EUA (e também no Brasil) por seu trabalho na série de TV de meados dos anos 80, A Gata e o Rato – que estrelava formando par com a atriz Cybill Shepard. Mas ao ser convidado pela Fox para encarnar o policial John McClane nos cinemas, ganhou fama definitiva e entrou no rol dos grandes astros do cinema de Hollywood. Duro de Matar talvez seja um dos ícones do cinema de ação em Hollywood no final do século XX. Temos em McClane um pouco dos xerifes dos faroestes – algo que é sabiamente lembrado pelo próprio vilão do primeiro filme, vivido magistralmente por Alan Rickman – e esse xerifão imerso na realidade urbana moderna, que é obrigado a lidar com a ameaça cada vez mais real do terrorismo, resultou numa mistura empolgante e irresistível.

O sucesso do personagem foi tão grande que a franquia já rendeu até aqui cinco filmes, alguns abaixo da média (como o terceiro e principalmente o último) e outros que deram uma modernizada nas ameaças e nos vilões, como o bom quarto filme da série, de 2007. Todos esses filmes serão tratados pelo blog em outra ocasião, porém os dois primeiros, lançados quase em sequência (1988 e 1990) impactaram muito o cinema de ação e, por isso, é sobre eles que focaremos aqui nesse singelo post de homenagem, que busca resgatar um pouco as ótimas lembranças desses dois filmes e, claro, dar aquela coceirinha em você que me lê para que assista ambos novamente.



DURO DE MATAR
(Die Hard, 1988)

duro-de-matar-1-posterEUA, Ação. Direção de John McTiernan. Com Bruce Willis, Alan Rickman, Bonnie Bedelia, William Atherton e Robert Davi. Duração 02h11. Classificação Etária: 16 anos.

O roteiro nos traz uma estória que começa num final de tarde e se estende por toda a noite e madrugada dentro de um edifício imponente de Los Angeles. John McClane (Bruce Willis) é um policial de Nova York que está em L.A. para se encontrar com sua esposa (Bonnie Bedelia), com quem está estremecido porque esta o deixou ao se mudar de cidade levando os filhos consigo por causa de um excelente emprego que conseguiu numa multinacional japonesa.

Essa empresa onde ela trabalha agora promove um jantar de confraternização às vésperas do Natal. Porém, ao esperá-la numa sala reservada do escritório situado no prédio onde ela trabalha, de repente ele percebe que o edifício está sendo invadido por um bando de terroristas fortemente armados, que tomam todos os funcionários como reféns – exceto McClane, cuja presença não é notada. Acuado e com poucos recursos (leia-se armas), porém escondido, ele decide então atrapalhar os planos dos bandidos e com isso tentar resgatar sua esposa.

Duro de MatarÉ inegável que, a partir daí, temos a excitação sucessiva diante das explosões e dos momentos que somente um anti-herói como McClane poderia nos proporcionar, com cenas de ação executadas com muita adrenalina e muito bem amarradas no enredo de tensão conforme a estória se desenvolve. O personagem de Willis se mete em enrascadas uma após a outra, e quando parece que será encurralado pelos terroristas, consegue escapar milagrosamente, nos cativando com seu carisma e nos fazendo literalmente torcer para ele – e cada vez mais ansiosos para ver onde tudo aquilo vai dar.

Além desses aspectos, o filme ainda conta com um vilão formidável. Os malfeitores dispõem de diversos apetrechos tecnológicos e sem nenhum receio de matar para conseguir o que querem. Todos eles são liderados por Hans Gruber – interpretado pelo ator Alan Rickman – um personagem envolvente, astuto, inteligente e completamente sem escrúpulos, que não mede atitudes para atingir seus objetivos, mesmo que para isso seja preciso matar o presidente da empresa, de maneira fria e calculista.

Alan Rickman
Alan Rickman e seu Hans Gruber: ameaçador até à beira da morte

As cenas em que McClane enfrenta os terroristas munido apenas com uma pistola automática, descalço, detonando os pés com os cacos dos vidros estilhaçados pelos tiroteios que acabou de travar com eles, são o máximo do primitivismo em termos de filmes de ação e resumem o espírito do filme: um policial que odeia bandidos enfrentando vários deles sozinho, mas com heroísmo de sobra.

O diretor John McTiernan viria a fazer muitos filmes de ação depois (inclusive o terceiro episódio da franquia, em 1995), porém não voltaria jamais a repetir o sucesso deste aqui. Bruce Willis também viria a fazer diversos filmes de ação depois desse aqui, mas nenhum deles se igualou à sua primeira performance como John McClane – talvez somente a sequência filmada dois anos depois chegou perto, da qual tratamos mais abaixo. Um filme de ação ininterrupta, que parece cada vez melhor com o passar do tempo, e com um clímax cuidadosamente montado para extasiar o público – o que consegue com um pé nas costas.

William Atherton
William Atherton faz o jornalista que quer ganhar fama à custa da desgraça dos outros

A produção custou aos cofres da Fox cerca de 28 milhões de dólares, mas arrecadou formidáveis 140 milhões de dólares em todo o mundo – o que levou os produtores a realizarem uma continuação logo em seguida, apenas dois anos depois do lançamento do filme original.

NOTA CINEMAIMERI – 9.0 (*****)

Duro de Matar (Die Hard, 1988) Trailer Legendado HD



DURO DE MATAR 2
(Die Hard 2, 1990)

duro-de-matar-2-poster(Die Hard 2). EUA, Ação. Direção de Renny Harlin. Com Bruce Willis, 2William Sadler, Bonnie Bedelia, Dennis Franz, William Atherton e Franco Nero. Duração 02h04. Classificação Etária: 16 anos.

Embalado pelo sucesso enorme do primeiro filme, seria fácil para os roteiristas simplesmente se valerem do carisma de Bruce Willis para arrecadar milhões produzindo uma sequência descartável em termos de estória. Mas não é o que acontece aqui. Repetiu-se a fórmula do filme original, porém isso em vez de soar como defeito, aqui virou virtude, já que o sarcasmo e a insanidade de McClane parecem realmente não ter limites – e o fato dele simplesmente “não morrer” é, afinal de contas, o que move o filme e inclusive lhe dá o nome.

Assim, imagine o cenário da ação do primeiro filme transferido de local: sai o edifício Nakatomi Plaza, e entra o aeroporto internacional Washington Dulles, um dos três que servem a capital federal dos EUA. Outros elementos do roteiro permanecem: estamos numa fria véspera de Natal e John McClane está novamente no lugar errado e na hora errada – só que desta vez ele está no saguão do aeroporto à espera da esposa que chegará de viagem de avião.

William Sadler
William Sadler é o vilão desse 2º filme, o Coronel Stuart

Enquanto fuma um de seus cigarros no saguão do aeroporto, McClane desconfia de uma movimentação estranha e resolve investigar. Ele então descobre que um grupo de terroristas tomou o aeroporto e agora controla a movimentação dos aviões e, com isso, a vida de milhares de passageiros prestes a desembarcar. Os terroristas são um grupo de ex-militares liderados pelo severo Coronel Stuart (William Sadler) e sua intenção é resgatar um militar deportado envolvido num grande esquema de distribuição de drogas (Franco Nero, em participação especial). McClane tenta alertar o turrão chefe da segurança do aeroporto sobre a ameaça iminente (Dennis Franz), mas é tratado com desdém, o que o desespera, porque sua esposa se encontra em um dos aviões quase sem combustível que sobrevoa o aeroporto, à espera de uma autorização para aterrissar que nunca acontece.John McClaneMcClane é claro, resolve entrar em ação sozinho e daí em diante a ação ininterrupta toma conta da tela. Os terroristas, escondidos numa pequena igreja vizinha ao aeroporto, estão dispostos a tudo e chegam a provocar a queda de um dos aviões para terem seus objetivos alcançados. Entre explosões de convincentes efeitos especiais e tiros que destroçam pernas e órgãos sem a menor sutileza, ficam várias sequências emblemáticas, especialmente aquela em que Willis escapa da morte de dentro da cabine de um avião no último segundo, ao voar pelos ares instantes antes da explosão de diversas granadas, valendo-se do banco ejetor do piloto da aeronave.

A aposta da Fox foi certeira e os lucros foram ainda maiores do que o filme original. A produção custou 70 milhões de dólares, mas arrecadou 240 milhões de dólares em todo o mundo.

Nota CINEMAIMERI – 8.5 (****)

Duro de Matar 2 (Die Hard 2) 1990 - Trailer

 

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