Leia a crítica de DOUTOR JIVAGO, filme de maior sucesso na carreira de Omar Sharif

Doutor Jivago

Doutor Jivago movie posterDOUTOR JIVAGO
(Doctor Zhivago)

Direção de David Lean. EUA, Drama / Romance, 1965. Duração: 03h17. Com Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Alec Guiness, Rod Steiger e Tom Courtenay.

 

Dirigido pelo mestre David Lean, este é certamente um dos maiores clássicos do cinema em todos os tempos. O roteiro, adaptado do romance escrito por Boris Pasternak, é uma verdadeira aula de História, e de como todo e qualquer regime político possui contradições – assim como nossa própria vida. Apesar da trama se desenrolar de maneira lenta e por vezes até um pouco arrastada, esta superprodução tem cenários deslumbrantes e a música soberba de Maurice Jarre.

Estrelado pelo egípcio Omar Sharif, que interpreta o personagem-título, a estória tem como pano de fundo o período anterior e posterior à Revolução Russa, nas três primeiras décadas do século XX. Uma metáfora perfeita da vida nesse difícil período, pois retrata o ser humano e sua natureza, em todas as suas mais substanciais dimensões. Jivago poeta seria a valorização da subjetividade, a face romântica sufocada num tempo em que a vida privada era proibida. Já o Jivago médico é a faceta solidária na época em que o “social” esmagava a individualidade.

Geraldine Chaplin e Omar Sharif
Tonya (Geraldine Chaplin) e Jivago (Omar Sharif)

Fotografia deslumbrante é um dos destaques

Algumas imagens nos fazem quase sentir fisicamente a emoção do personagem, e são inesquecíveis. Por exemplo, a estrela vermelha brilhando sobre a entrada do túnel de trabalhadores; ou o bater dos galhos na vidraça coberta de neve no quarto em que Yuri (Jivago criança) estava ao voltar do enterro de sua mãe. Temos ainda a forte cena do ataque da cavalaria contra os bolcheviques; e o momento em que Jivago olha Tonya (Geraldine Chaplin) no campo e toma a decisão de ser só dela – e, na sequência, o momento em que comunica Lara (Julie Christie) dessa decisão.

Porém a mais bela imagem do filme talvez seja a que mostra os flocos de neve se transformando em flores, enquanto uma das flores se transmuta no rosto de Lara. Belíssima imagem, de uma simplicidade e sensibilidade de composição impressionantes. A fotografia magnífica foi premiada com o Oscar e é sem dúvida um dos aspectos altos do filme.

O amor não é algo previsível e linear, e o par romântico Jivago e Lara, retrata muito bem isso, revelando os encontros e desencontros de nossa vida sentimental. Às vezes, a vida nos coloca em situações e oscilamos entre o amor sublime (considerado por muitos superior) e o amor excitante, que provoca paixão. Somos “vários” em um só e nem sempre podemos viver todas esses faces em sua plenitude – e o roteiro do filme mostra isso muito bem, ao observarmos todas as limitações emocionais às quais o personagem de Jivago é submetido.

Omar Sharif e Julie Christie
Jivago (Omar Sharif) e Lara (Julie Christie)

Típica estória russa fez grande sucesso nos EUA

Outra personagem muito interessante é interpretada pela filha de Charlie Chaplin, Geraldine. Sua Tonya sabia todo o tempo do sentimento que seu esposo nutria por Lara, e respeitou e o deixou livre para vivê-lo, sem abrir mão de sua dignidade e do direito de viver seus próprios sentimentos. Isso a torna uma pessoa de natureza equilibrada, num auto-controle muito acima da compreensão da imensa maioria das pessoas.

O filme fez um estrondoso sucesso na época de seu lançamento nos cinemas, em 1965. Arrecadou cerca de US$ 111 milhões nos EUA – o que hoje equivaleria a cerca de Um Bilhão de Dólares – somente no mercado cinematográfico norte-americano. Isso coloca Doutor Jivago em 8º lugar no ranking de bilheteria dos EUA em todos os tempos, considerando a correção pela inflação.

Doutor Jivago
Rod Steiger (de costas), Tom Courteney e Julie Christie

Além do Oscar de Melhor Fotografia, esse filmaço levou mais quatro estatuetas douradas: Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Direção de Arte e Figurino. Porém acabou perdendo os principais prêmios (Filme e Diretor) para o outro clássico do mesmo ano – “A Noviça Rebelde“. Isso, entretanto, não diminui em absolutamente nada sua importância histórica e cinematográfica.

 

Assista o trailer original de DOUTOR JIVAGO (legendado):

Doutor Jivago - Trailer Legendado

 

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