Preguiçoso, clichê e sem graça, comédia romântica “Divã a 2” é pura perda de tempo

divaa2-cartazDIVÃ A 2

Direção de Paulo Fontenelle

Brasil, 2015, Romance / Comédia. Duração: 01h33. Com Vanessa Giácomo, Rafael Infante, Marcelo Serrado, Fernanda Paes Leme, Fiuk, Totia Meirelles, George Sauma, Mauricio Mattar, Antonio Tabet e Raphael Viana. Classificação: a definir.

Esse filme é uma prova viva da absoluta incapacidade e preguiça que consome a mente de alguns cineastas nacionais, que insistem em produzir filmes inócuos, chatos, de estorinhas rasas e insuportavelmente clichês. A sucessão de eventos de “mais do mesmo” aqui é tão grande que beira o ridículo, e que talvez por isso mesmo até consiga arrancar de nós algumas risadinhas em resposta a tudo que se vê pela enésima vez na tela, contada da mesma forma aborrecida e superada de sempre. É o típico filme que com dez minutos de estória já sabemos exatamente tudo o que vai acontecer.

Eduarda (Vanessa Giácomo, do bom “Jean Charles”) é uma ortopedista bem sucedida, que casou-se muito cedo com o produtor de eventos Marcos (Rafael Infante, do humorístico “Porta dos Fundos“). Devido ao desgaste do relacionamento de dez anos, eles resolvem fazer uma terapia de casal – porém de forma individual. No entanto, durante as sessões, eles concluem de comum acordo que devem se separar. É quando Eduarda conhece Léo (Marcelo Serrado, do horroroso “Crô“), por quem fica interessada inicialmente, mas depois fica dividida quando Marcos, cansado da vida de solteiro, finalmente consegue enxergar as qualidades da ex-mulher quando a vê envolvida com outro homem – e aí decide reaproximar-se dela.

Na fase em que estão separados, cada um cuida em tocar suas vidas, e aí, o roteiro preguiçoso nos mostra isso da maneira mais evidente que poderia fazer: ele vai para a noite curtir a nova vida de solteiro, em busca de mulheres e junto com os amigos, enquanto ela, como mãe zelosa, se dedica inteiramente ao trabalho e ao filho – isso até encontrar o “homem ideal”, o psicanalista Léo, por quem, é claro, ela se apaixona – afinal, como resistir a um homem tão lindo, maduro, agradável, educado, etc. etc. etc. (nunca vimos isso antes em outros filmes, né ??).

divaa2-b


ATENÇÃO SPOILER: <<< Ó duvida cruel: com quem Eduarda deve ficar ?? Pois nem o talento de Vanessa Giácomo é capaz de fazer o roteiro responder essa pergunta com qualidade, pois acredite se quiser: não será ela quem decidirá essa questão!! >>>


Nem vamos gastar mais linhas de texto com a resenha desse filme, pois a verdade é que apesar do nome que ostenta – e do material promocional quase idêntico – infelizmente este “Divã a 2” nem de longe é uma sequência do ótimo “Divã“, estrelado por Lília Cabral. Chega quase a ser uma ofensa ao filme de 2009 dirigido por José Alvarenga Jr. chamarmos esse aqui de “continuação”, já que a estória simplesmente não tem NADA a ver com a original.

Aqui temos tudo o que o anterior não tem: o filme é repleto de clichês, sem gosto, sem alma, altamente previsível, e o pior, notadamente machista e quase totalmente sem graça, ou seja: trata-se de mais uma comédia nacional bobinha e esquecível – a não ser pelas marcas infinitas de produtos anunciados a título de merchandising, que talvez sejam a única coisa que fique ecoando na mente do espectador ao final do filme – o derradeiro clichê do atual cinema brasileiro.


 

Veja abaixo o que o filme “DIVÃ A 2” tem de mais legalzinho – o seu trailer:

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=2XlY0OXJ5w4]

 

Seja o primeiro a comentar

Deixe seu comentário