Roger Moore traz novo fôlego a James Bond em “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973)

Live and Let Die

Live and Let Die movie posterEm 1971, o ator escocês Sean Connery ganhou uma fortuna para voltar a ser James Bond em Os Diamantes são Eternos, mas em seguida decidiu sair da franquia em definitivo. Assim, os produtores da série, Albert Broccoli e Harry Saltzman, tiveram que procurar outro ator britânico para interpretar o personagem. Coube ao inglês Roger Moore a responsabilidade de dar prosseguimento nos cinemas às aventuras do agente secreto mais famoso do mundo. Mesmo sendo tachado por alguns como “bonzinho demais” para o papel, Moore fez muito sucesso como Bond. Tanto é verdade que que suplantou Connery no número de filmes – 7 contra 6 – e, para muitos fãs, também foi superior na performance e no carisma.

Antes de mais nada, é preciso reconhecer: Roger Moore não possuía a mesma jovialidade que Connery, que quando estreou como Bond em 1962 tinha apenas 32 anos. Enquanto isso, Moore já tinha 46 anos ao protagonizar Com 007 Viva e Deixe Morrer, em 1973. Porém a missão que marca sua estréia no papel de 007 é uma das melhores aventuras de toda a série. Bond deixa de lado a organização criminosa Spectre e se depara com uma missão recheada de rituais de magia negra, tendo como pano de fundo o tráfico de heroína. Dessa forma, muda também o tipo de inimigo a enfrentar – que andava girando sempre em torno de ameaças nucleares nos filmes do agente até então.

Live and Let Die

Além do tráfico de drogas, a morte de três agentes secretos ao redor do mundo colocam frente a frente James Bond (Moore) e Mr. Big (Yaphet Kotto, que mais tarde faria Alien – o Oitavo Passageiro). O vilão é o rei do crime no bairro negro do Harlem, em Nova York, e sua organização criminosa age sempre de acordo com as visões da cartomante Solitaire (Jane Seymour, com apenas 22 anos à epoca). Quando conhece Bond e se entrega a ele, porém, Solitaire perde seus poderes e é condenada à morte num ritual vudu. Mas é claro que Bond estará lá para salvá-la.


Time de peso para um novo recomeço da franquia

Esta oitava aventura de 007 é recheada de humor e grandes perseguições. Há espaço para tudo no roteiro, sempre de forma ágil e cheia de humor e aventura. Temos por exemplo as cenas inusitadas de cortejos fúnebres, que viram verdadeiros carnavais em Nova Orleans. Ou Bond fugindo de seus perseguidores das mais diversas formas, pilotando desde lanchas ultra-velozes na baía da Lousiana (EUA) até um autêntico ônibus londrino. Nem mesmo um avião de treinamento escapou do “ataque” de 007. Aliás, por falar em ataques, neste filme Bond teve que se livrar de vários animais mortíferos. Estamos falando de uma cobra no banheiro, de crocodilos no mangue e até mesmo de tubarões, no duelo final com o vilão. Tudo isso foi muito bem conduzido por Guy Hamilton, em seu terceiro filme como diretor da série 007 (antes já havia feito o ótimo Goldfinger e o bom Os Diamantes são Eternos).

Para ter certeza que a série estaria em boas mãos, além de Moore e Hamilton, os produtores se cercaram de outras personalidades, que garantiram o sucesso do filme. A então novata atriz Jane Seymour impressionou como a bondgirl Solitaire, tendo ótima química na tela com Moore e criando um  envolvente clima de sedução e romance, fundamental para a trama. E a inesquecível música-tema coube simplesmente ao ex-beatle Paul McCartney. “Live and let die” foi um tremendo sucesso em todo mundo na época de lançamento do filme, em 1973, e foi indicada ao Oscar de Melhor Canção do ano seguinte. Mas por um desses absurdos cometidos pela academia, perdeu a estatueta para Marvin Hamlisch pelo filme Nosso Amor de Ontem.

Tee Hee (Live and Let Die)Por fim, o vilão feito por Yaphet Kotto (Mr. Big/Dr.Kananga) é um dos melhores da série. Apesar de ainda jovem, Kotto teve uma atuação segura e à altura do que o papel impunha. E um de seus capangas, feito pelo ator Julius Harris (de King Kong 1976), também merece destaque. Tee Hee, um homem negro, alto e imponente, tinha enormes e afiadas garras de aço indestrutível, no lugar do braço direito.

Com 007 viva e deixe morrer arrecadou 126 milhões de dólares em todo o mundo – sendo US$ 35 milhões apenas nos EUA – e manteve em alta o mito James Bond. Aliás, Roger Moore fez muito mais que isso: imprimiu ao agente seu estilo pessoal, talvez menos charmoso, mas muito mais irônico que Sean Connery. Estava inaugurada a fase de um dos atores mais emblemáticos de toda a franquia 007.

Nota CINEMAIMERI – 8.0 ****

 

TRAILER ORIGINAL (legendado):

Com 007 Viva E Deixe Morrer (Live and Let Die) (LEG)

 

CENA DO FILME – BOND E OS CROCODILOS (dublagem original):

Com 007 viva e deixe morrer dublagem classica herbert richers

 

Paul McCartney canta “Live and Let Die” em Nova York (2010)

Paul McCartney - Live and Let Die - Good Evening New York

 

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