Filme de guerra brasileiro, A ESTRADA 47 mostra o heroísmo dos Pracinhas na Itália

Estrada 47

estrada47-posterA ESTRADA 47

Direção de Vicente Ferraz

Brasil, Drama, 2012. Duração: 01h47min. Com Daniel de Oliveira, Júlio Andrade, Ivo Canelas, Francisco Gaspar e Richard Sammel. Classificação: 12 anos.

Baseado em fatos reais, este certamente é um dos raríssimos “filmes de guerra” brasileiros. Conta uma pequena estória de heroísmo por parte de um jornalista e quatro pracinhas do exército brasileiro, presos em uma montanha na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Após um ataque de pânico, eles abandonam seus postos e se vêem forçados a fazer uma escolha: ou retornam à base e sofrem corte marcial, ou tentam atravessar um caminho completamente minado pelos alemães, no que talvez seja a única saída para a liberdade e a salvação do grupo.

Alguns personagens merecem citação. São eles o engenheiro Guima (Daniel de Oliveira), que narra e participa da estória, e os soldados Piauí (Francisco Gaspar) e Laurindo (Thogun Teixeira). Outra atuação de destaque é do ator alemão Richard Sammel (Bastardos Inglórios, A Vida é Bela). Vários momentos emocionantes mostram a dura realidade da guerra de maneira sensível e ao mesmo tempo contundente, evidenciando não somente as perdas humanas como os dramas psicológicos que vão povoando a mente de todos os envolvidos.

Bela produção do filme chama a atenção

As cenas de ação próprias de um filme de guerra também estão presentes, ainda que de maneira contida e sem exageros. Porém, o relacionamento interno do grupo é mesmo o principal foco – e mérito – do filme. Sentimentos humanos tão diversos, como a histeria coletiva, o medo inconfesso por serem soldados em uma guerra e as culpas que cada um carrega consigo, se fazem presentes. Tudo isso, além do ambiente totalmente estranho aos pracinhas brasileiros, criam diversas situações de tensão que são muito bem exploradas pelo roteiro do também diretor Vicente Ferraz. É interessante notar como os soldados brasileiros sentem-se completamente alheios às causas da guerra, num misto de revolta, inconformismo e paranóia crescentes, por estarem mergulhados numa situação potencialmente suicida.

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A Direção de Arte e a Fotografia também são extremamente competentes. O vestuário dos soldados brasileiros e inimigos e o rigoroso inverno europeu são muito bem caracterizados. O diretor se mostra consciente das limitações da produção e não descamba para mentiras históricas inexistentes, que pudessem “engrandecer” a participação brasileira na guerra para além do que realmente aconteceu. Afinal de contas, o número de pracinhas era muito pequeno, se comparado a tropas de outras nacionalidades. Ferraz entrega um trabalho bastante digno, que se não arrisca ao evitar um aprofundamento maior dos personagens, também consegue impressionar pelo esmero de sua bela produção.


 

Assista o trailer oficial do filme “A ESTRADA 47”:

A Estrada 47 - Trailer Oficial

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