Em A ASSASSINA, Bridget Fonda se torna uma máquina de matar a serviço do governo

A Assassina

AassassinaFilme meio raso do diretor John Badham (o mesmo do sucesso Jogos de Guerra), que cumpre seu papel, mas é facilmente esquecível. Apesar de “A Assassina” ser do estúdio Warner Bros., a produção tem cara e jeito de ser meio marginal, mas o diretor competente e o bom elenco garantem uma boa qualidade final para o filme.

Bridget Fonda (sobrinha da consagrada atriz Jane Fonda) é Maggie, garota marginal viciada em drogas que é a única sobrevivente da ação policial contra o assalto a uma loja. Presa por matar um policial, ela é condenada à morte por injeção letal. Mas uma espécie de “polícia paralela secreta” do governo americano identifica o “potencial bélico” da garota e resolve impedir sua execução. Ela é recrutada compulsoriamente para treinamento, tendo como opção à morte a subserviência a todas as ordens de cima, sejam elas quais forem. Assim, aos poucos ela aprende a ser uma agente do governo e a se comportar de maneira cada vez mais civilizada, passando a ter uma vida quase normal. Só que assume uma identidade falsa e sempre sob as asas vigilantes do “governo”.

Roteiro esbanja situações forçadas e convenientes à estória

A intenção do roteiro é a de mostrar o contraste entre a garota marginal e selvagem do começo do filme com a bela e elegante moça que se torna uma máquina de matar quando é preciso. A primeira não tem a menor noção de civilidade, é um bicho do mato (a garota bate em tudo que vê pela frente) e extremamente agressiva. Já a segunda é jovem, astuta, bonita, inteligente e ainda por cima é boa de briga e sabe atirar muito bem. O problema é que a “passagem” de um estado para outro é feita subitamente, poderia ser muito melhor desenvolvida. De repente ela passa a cultivar sentimentos de querer ser alguém na vida, de praticar o bem, e até de poupar a vida de pessoas sob a mira de seu revólver – o que é de se estranhar pela mudança repentina de personalidade.

A Assassina (Gabriel Byrne)
GABRIEL BYRNE faz o agente federal que se torna “tutor” da moça

Fica complicado para o espectador aceitar que tudo isso foi adquirido em apenas alguns meses de “treinamento”. Isso se acentua quando a jovem se apaixona por um fotógrafo que encontra no caixa do supermercado (Dermot Mulroney, de O Casamento do meu melhor amigo). Na verdade a impressão que dá é que ela resolveu se apaixonar pelo primeiro cara que atravessasse sua frente – porque cá entre nós ele é muito chato. Daí em diante o filme foca na dificuldade cada vez maior que ela tem em levar a vida a dois com seu parceiro, para que esse não descubra suas atividades “suburbanas” que ela ainda é obrigada a exercer. Sim, pois cada vez mais suas missões envolvem o assassinato de pessoas que ela nunca viu na vida, mas que são inimigas do “governo”.

Ótimas presenças no elenco

Bridget Fonda está muito bem, principalmente no começo da trama, como garota marginal e completamente sem educação. Gabriel Byrne não é muito exigido, faz o agente que monitora a ex-marginal. Está quase sempre apanhando dela e quase não participa de cenas externas. E ainda temos Harvey Keitel, que faz uma pequena, mas eficiente participação no final.

Enfim, “A Assassina” tem roteiro apressado e mal desenvolvido. Muitas coisas são jogadas na tela como se fizessem sentido, sem necessidade de maiores explicações. Mas como passatempo o filme funciona muito bem, tem boas cenas de ação e até uma certa dose de suspense. Só deixa a desejar para o espectador mais exigente.

Nota CINEMAIMERI – 7.5 ***

Veja abaixo o trailer original do filme A ASSASSINA, em inglês (sem legendas):

Point of No Return 1993 Trailer

Seja o primeiro a comentar

Deixe seu comentário