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3º lugar – SEAN CONNERY

Sean Connery

Sean Connery tem em seu currículo uma única indicação ao Oscar. Foi em 1988, quando também venceu na categoria Melhor Ator Coadjuvante, por Os Intocáveis (direção de Brian De Palma). Porém com certeza essa não foi sua melhor atuação no cinema, apesar de ter sido um ótimo trabalho, sem dúvida. O escocês foi o precursor, a partir de 1962, da série 007 – e de fato, muitos fãs o consideram o melhor James Bond de todos. Mas ele fez muito mais do que interpretar o agente secreto de sua majestade nos cinemas. Connery atuou em outros filmes memoráveis, sempre com uma forte e charmosa presença em cena, como em O Nome da Rosa e A Rocha. Claro que a imagem eterna de Bond jamais deixará de ser associada a ele, mas o ator conseguiu construir uma sólida filmografia, independentemente de seu protagonismo na franquia 007.

Sean Connery (Oscar)Nascido em 1930, Sir Thomas Sean Connery era filho de um motorista de caminhão e de uma faxineira. Abandonou a escola aos 15 anos para alistar-se na Marinha britânica, onde ficou por três anos, logo ao final da Segunda Guerra Mundial. Até os 21 anos de idade, trabalhou como leiteiro, polidor de caixões(!), pedreiro, salva-vidas(!) e modelo. Também concorreu pela Escócia ao título de Mister Universo em 1950 (concurso no qual ficou em 3º lugar). A partir de 1951, começou a participar de peças de teatro, filmes e séries de TV, mas nos dez anos seguintes, seu único papel realmente digno de nota foi no filme A Lenda dos Anões Mágicos (1959), uma fantasia dos estúdios Disney.

A chegada ao estrelato como James Bond

Em 1962, a fama finalmente bateu à sua porta. Connery foi escolhido pelos produtores Harry Saltzman e Albert R. Broccoli para viver James Bond nas telas dos cinemas. O ator tinha a combinação de charme e virilidade exigida para o papel. Hoje em dia a maioria dos fãs o consideram como o melhor intérprete nos cinemas do personagem literário criado por Ian Fleming na década de 1950. No total, foram 7 filmes na pele do agente secreto britânico, sendo seis deles considerados oficiais.

Sean Connery 007O crescimento da franquia Bond foi exponencial. O primeiro filme é de 1962: 007 contra o satânico Dr.No, lançando Ursula Andress como bondgirl. Foi um grande sucesso, arrecadando US$ 16 milhões, que aumentaram para quase US$ 25 milhões no ano seguinte, com o segundo filme: Moscou contra 007.

Porém, a produção que realmente consolidou a franquia foi 007 contra Goldfinger, de 1964, que ficou famoso pela belíssima canção-tema interpretada por Shirley Bassey. O filme arrecadou incríveis US$ 51 milhões para a época, e é considerado o melhor Bond interpretado pelo escocês. O quarto filme veio na esteira do sucesso do anterior. 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball, 1965) arrecadou mais de US$ 63 milhões – mas é considerado por muitos o mais fraco dos Bond de Connery.

Sean Connery as James BondNa verdade, Sean poderia ter se despedido do personagem após a quinta aventura, Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967 – US$ 43 milhões de bilheteria). Preocupado com o estigma de ficar eternamente marcado como 007, embora estivesse participando de outros filmes (como Marnie – Os Segredos de uma Ladra em 1964, dirigido por Alfred Hitchcock), o ator não quis se envolver com a produção do sexto filme da série, 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade (1969). Dessa forma, ele foi substituído pelo desconhecido ator australiano George Lazenby.

Como resultado, o filme foi um fiasco: arrecadou menos da metade dos anteriores – pouco mais de US$ 22 milhões. Os produtores apelaram para Connery novamente, que pôde então pedir o quanto quis para reassumir o papel (US$ 1,250 milhões, o maior cachê já pago até então em Hollywood). Assim, o escocês retornou à série em 007 – Os Diamantes São Eternos, (1971 – US$ 44 milhões arrecadados), jurando ser seu último filme como Bond. É por isso que sua sétima aventura como Bond (lançada em 1983) chamou-se Nunca Mais Outra Vez (numa desnecessária refilmagem de 007 contra a Chantagem Atômica). Este filme não é considerado oficial na franquia. Teve a então iniciante Kim Basinger (Batman) como bondgirl e foi dirigido por Irvin Kershner (de Star Wars V – O Império contra-ataca).

Destaques da Filmografia

Além de ser dirigido pelo mestre Hitchcock, durante os ”anos 007”, o ator esteve também em A Colina dos Homens Perdidos (1965), de Sidney Lumet. Logo ficou evidente que Sean Connery tinha muito mais a oferecer, e ele raramente deixou de cativar público e crítica com suas atuações. Com grande versatilidade e uma presença que define a palavra carisma, o ator se destacou por décadas em vários outros filmes.

Dentre os principais trabalhos de sua filmografia, destacamos O Homem que Queria Ser Rei (1975, aventura dirigida por John Huston), O Nome da Rosa (1986, prêmio da Academia Britânica pelo seu monge detetive, na adaptação para o cinema da obra literária de Umberto Eco), Os Intocáveis (1987, Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo policial veterano Malone), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989, impagável como pai de Indiana Jones).

A lista segue na década de 1990, com Lancelot – o primeiro cavaleiro (1995, papel de Rei Arthur), A Rocha (1996, filme de ação contracenando com Nicolas Cage), Armadilha (1999) e por fim, A Liga Extraordinária (2003), seu último papel de destaque, vivendo o aventureiro Alain Quatermain. Este filme foi um fracasso de bilheteria, o que talvez tenha feito com que Connery definitivamente tenha decidido que havia chegado a hora de parar.

Ator é favorável à saída da Escócia do Reino Unido

O Nome da RosaAtivo cidadão escocês, nos últimos anos Connery tem feito doações para a educação de seu país – e nunca escondeu seus ideais separatistas em relação à Inglaterra. Em 1999, foi eleito pela revista People o “homem mais sexy do século”. Sua primeira esposa (entre 1962 e 1973) foi a atriz Diane Cilento, mãe do ator Jason Connery, que interpretou Ian Fleming num filme para a TV. Desde 1975 ele está casado com a artista franco-tunisiana Michelle Roquebrune Connery. Atualmente mora com a esposa em Nassau, nas Bahamas (curiosamente, o lugar preferido de Ian Fleming, criador da série 007).

Talvez Sean Connery não esteja na lista dos maiores atores da maioria das pessoas, mas na nossa opinião ele ocupa uma honrosa terceira posição, por todo seu carisma, presença em cena e versatilidade de interpretações que esbanjou nos seus mais de 40 anos de carreira.

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