ABRACCINE elege os 100 melhores filmes nacionais da história; “Limite” é o vencedor

A Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema – foi criada em 2011 e, quatro anos depois, resolveu convocar uma centena de críticos e jornalistas especializados em cinema no país para elaborar a lista dos 100 melhores filmes nacionais da história. Como em qualquer outra enquete similar, o resultado final é controverso, especialmente se olharmos para o topo da lista.

Foi eleito vencedor um longa-metragem bastante antigo e até certo ponto desconhecido: “Limite”, único trabalho na direção de Mário Peixoto, em 1931. O filme superou clássicos da cinematografia brasileira que vêm logo a seguir na lista, como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, talvez o filme mais importante do Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro da década de 1960 ao qual também pertence o filme que ocupa a 3ª posição, “Vidas Secas”, de Nélson Pereira dos Santos, baseado na obra de Graciliano Ramos, lançado em 1963.

A iniciativa da Abraccine merece elogios, apesar de conter alguns pontos questionáveis. A composição do ranking serviu de pontapé inicial para a composição do livro “Os 100 Melhores Filmes Brasileiros”, que será lançado em 2016, pela editora Letramento. O livro reunirá crônicas de cada um dos filmes elencados neste ranking, escritas pelos principais críticos de cinema do país.

Porém, a lista mistura alhos com bugalhos, colocando no mesmo balaio tipos diferentes de produção cinematográfica – não há distinção entre curtas e longa-metragens, documentários ou filmes de ficção. Isso torna o ranqueamento desequilibrado, afinal de contas, não dá prá colocar no mesmo parâmetro de análise um documentário em formato de curta-metragem realizado na década de 1940 com um longa-metragem de ficção produzido depois da virada do século. A própria Abraccine informou que quase 400 produções diferentes foram citadas pelos críticos consultados, o que torna ainda mais desnecessário e injustificável colocar tudo num único ranking – poderiam ser elaboradas listas distintas, pelo menos entre curtas e longa-metragens.

 

Elencamos abaixo alguns destaques a considerar do ranking:

Com muita justiça, Glauber Rocha é o diretor com maior número de obras na lista: 5 filmes, sendo dois deles entre os TOP 10: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964 – 2º lugar) e “Terra em Transe” (1967 – 5º lugar). Logo a seguir, cinco diretores possuem 4 filmes na lista cada um – são eles Rogério Sganzerla, Joaquim Pedro de Andrade, Nélson Pereira dos Santos, Hector Babenco e Carlos Reichenbach.

O diretor José Mojica Marins, criador do personagem Zé do Caixão, têm 3 filmes na lista, sendo o melhor ranqueado “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964), na 46ª posição.

O filme eleito vencedor, “Limite”, é também o mais antigo da lista (foi produzido em 1931). Já o mais recente é “Que horas ela volta?”, de Anna Muylaert, que foi aos cinemas durante esse ano de 2015 que está terminando;

Cinco curta-metragens estão na lista. O mais bem colocado é “Ilha das Flores” (1989), de Jorge Furtado, em 13º lugar. Coincidentemente, também há cinco documentários no ranking, sendo que o mais bem colocado é “Cabra Marcado para Morrer” (1984 – 4º lugar), de Eduardo Coutinho (que aliás, tem outros dois filmes na lista: “Jogo de Cena” (2007 – 17º lugar) e “Edifício Master” (2002 – 28º lugar);

Pelo jeito o pessoal da Abraccine não se lembrou da família Barreto na hora de fazer a composição da lista. De forma bastante polêmica, dois filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – dirigidos cada um deles por um dos irmãos Barreto – não estão na lista: “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto, e “O que é isso, companheiro?” (1997), de Bruno Barreto – este porém, tem outro filme citado na lista, “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976), que até a estréia de “Tropa de Elite 2” nos cinemas em 2010 ocupava o posto de filme de maior bilheteria no Brasil em todos os tempos.

Othon Bastos em “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha

 

Ranking da ABRACCINE

Os 100 Melhores Filmes Nacionais da História

 

  1. Limite(1931), de Mario Peixoto
  1. Deus e o Diabo na Terra do Sol(1964), de Glauber Rocha
  1. Vidas Secas(1963), de Nelson Pereira dos Santos
  1. Cabra Marcado para Morrer(1984), de Eduardo Coutinho
  1. Terra em Transe(1967), de Glauber Rocha
  1. O Bandido da Luz Vermelha(1968), de Rogério Sganzerla
  1. São Paulo S/A(1965), de Luís Sérgio Person
  1. Cidade de Deus(2002), de Fernando Meirelles
  1. O Pagador de Promessas(1962), de Anselmo Duarte
  1. Macunaíma(1969), de Joaquim Pedro de Andrade
  1. Central do Brasil(1998), de Walter Salles
  1. Pixote, a Lei do Mais Fraco(1981), de Hector Babenco
  1. Ilha das Flores(1989), de Jorge Furtado
  1. Eles Não Usam Black-Tie(1981), de Leon Hirszman
  1. O Som ao Redor(2012), de Kleber Mendonça Filho
  1. Lavoura Arcaica(2001), de Luiz Fernando Carvalho
  1. Jogo de Cena(2007), de Eduardo Coutinho
  1. Bye Bye, Brasil(1979), de Carlos Diegues
  1. Assalto ao Trem Pagador(1962), de Roberto Farias
  1. São Bernardo(1974), de Leon Hirszman

 

cena de “VIDAS SECAS”, de Nélson Pereira dos Santos (1963)

 

  1. Iracema, uma Transa Amazônica(1975), de Jorge Bodansky e Orlando Sena
  1. Noite Vazia(1964), de Walter Hugo Khouri
  1. Os Fuzis(1964), de Ruy Guerra
  1. Ganga Bruta(1933), de Humberto Mauro
  1. Bang Bang(1971), de Andrea Tonacci
  1. A Hora e a Vez de Augusto Matraga(1968), de Roberto Santos
  1. Rio, 40 Graus(1955), de Nelson Pereira dos Santos
  1. Edifício Master(2002), de Eduardo Coutinho
  1. Memórias do Cárcere(1984), de Nelson Pereira dos Santos
  1. Tropa de Elite(2007), de José Padilha
  1. O Padre e a Moça(1965), de Joaquim Pedro de Andrade
  1. Serras da Desordem(2006), de Andrea Tonacci
  1. Santiago(2007), de João Moreira Salles
  1. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro(1969), de Glauber Rocha
  1. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro(2010), de José Padilha
  1. O Invasor(2002), de Beto Brant
  1. Todas as Mulheres do Mundo(1967), de Domingos Oliveira
  1. Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), de Julio Bressane
  1. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto
  1. Os Cafajestes (1962), de Ruy Guerra
EDUARDO COUTINHO, diretor do documentário “Cabra marcado para Morrer” (1984)

 

  1. O Homem do Sputnik (1959), de Carlos Manga
  1. A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral
  1. Sem Essa Aranha (1970), de Rogério Sganzerla
  1. SuperOutro (1989), de Edgard Navarro
  1. Filme Demência (1986), de Carlos Reichenbach
  1. À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), de José Mojica Marins
  1. Terra Estrangeira (1996), de Walter Salles e Daniela Thomas
  1. A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla
  1. Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos
  1. Alma Corsária (1993), de Carlos Reichenbach
  1. A Margem (1967), de Ozualdo Candeias
  1. Toda Nudez Será Castigada (1973), de Arnaldo Jabor
  1. Madame Satã (2000), de Karim Ainouz
  1. A Falecida (1965), de Leon Hirzman
  1. O Despertar da Besta – Ritual dos Sádicos (1969), de José Mojica Marins
  1. Tudo Bem (1978), de Arnaldo Jabor (1978)
  1. A Idade da Terra (1980), de Glauber Rocha
  1. Abril Despedaçado (2001), de Walter Salles
  1. O Grande Momento (1958), de Roberto Santos
  1. O Lobo Atrás da Porta (2014), de Fernando Coimbra
cena de “ILHA DAS FLORES” (1989), de Jorge Furtado, o melhor curta-metragem da lista

 

  1. O Beijo da Mulher-Aranha (1985), de Hector Babenco
  1. O Homem que Virou Suco (1980), de João Batista de Andrade
  1. O Auto da Compadecida (1999), de Guel Arraes
  1. O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto
  1. A Lira do Delírio (1978), de Walter Lima Junior
  1. O Caso dos Irmãos Naves (1967), de Luís Sérgio Person
  1. Ônibus 174 (2002), de José Padilha
  1. O Anjo Nasceu (1969), de Julio Bressane
  1. Meu Nome é… Tonho (1969), de Ozualdo Candeias
  1. O Céu de Suely (2006), de Karim Ainouz
  1. Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert
  1. Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bondanzky
  1. Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda
  1. Estômago (2010), de Marcos Jorge
  1. Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes
  1. Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira
  1. Pra Frente, Brasil (1982), de Roberto Farias
  1. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1976), de Hector Babenco
  1. O Viajante (1999), de Paulo Cezar Saraceni
  1. Anjos do Arrabalde (1987), de Carlos Reichenbach
  1. Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina
  1. O País de São Saruê (1971), de Vladimir Carvalho
  1. A Marvada Carne (1985), de André Klotzel
  1. Sargento Getúlio (1983), de Hermano Penna
  1. Inocência (1983), de Walter Lima Jr.
  1. Amarelo Manga (2002), de Cláudio Assis
  1. Os Saltimbancos Trapalhões (1981), de J.B. Tanko
  1. Di (1977), de Glauber Rocha
  1. Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade
  1. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966), de José Mojica Marins
  1. Cabaret Mineiro (1980), de Carlos Alberto Prates Correia
  1. Chuvas de Verão (1977), de Carlos Diegues
  1. Dois Córregos (1999), de Carlos Reichenbach
  1. Aruanda (1960), de Linduarte Noronha
  1. Carandiru (2003), de Hector Babenco
  1. Blá Blá Blá (1968), de Andrea Tonacci
  1. O Signo do Caos (2003), de Rogério Sganzerla
  1. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger
  1. Meteorango Kid, Herói Intergalactico (1969), de Andre Luis Oliveira
  1. Guerra Conjugal (1975), de Joaquim Pedro de Andrade (*)
  1. Bar Esperança, o Último que Fecha (1983), de Hugo Carvana (*)

 


 (*) Empatados na última colocação, com o mesmo número de pontos.

 

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