Bond casado em “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade”? Não tinha como dar certo…

007 a serviço secreto de Sua Majestade

007 a Serviço Secreto de Sua MajestadeApós estrelar 5 filmes como James Bond, em 1967 o ator escocês Sean Connery anunciou que queria respirar novos ares e deixou o posto vago. “007 a serviço secreto de Sua Majestade”, próximo filme do agente secreto britânico,  seria baseado num dos melhores livros escritos pelo autor, Ian Fleming. Os produtores tiveram então que sair à caça de um substituto para Connery, o que, convenhamos, não era tarefa nada fácil.

Novo James Bond vem da Austrália

Albert Broccoli, dono da EON Productions, resolveu fazer uma aposta extremamente arriscada: escolheu o desconhecido modelo australiano George Lazenby para o papel. E o que se pode concluir é que, se dependesse exclusivamente da atuação de Lazenby como Bond, o filme seria um lixo total. Ele é um ator muito sem graça, não tem humor, não expressa emoções, não tem expressão cênica alguma e absolutamente nenhum carisma. O filme foi mal nas bilheterias e, com isso, a carreira de Lazenby praticamente começou e terminou aqui (nunca mais ele fez algo medianamente importante no cinema).

On her majesty's secret servicePor outro lado, o filme está longe de ser um desastre – o roteiro, diga-se, é um dos melhores de toda a série. Além disso, o vilão é interpretado por nada menos que o Kojak da TV (o ator Telly Savalas) e as cenas de perseguição na neve, uma das marcas registradas dos filmes de Bond, tem aqui provavelmente sua versão mais bem realizada.

O roteiro destoa um pouco do que normalmente se encontra na filmografia do personagem. Aqui Bond está mais “sensível” e se apaixona pela filha de um bandido, que vai ajudar o agente a encontrar o esconderijo de Blofeld nos alpes suíços. Tirando a atuação de Lazenby, o filme é bem levado, tem um roteiro muito bom e boas cenas de ação. Telly Savallas faz um ótimo Blofeld, mas os fãs da série sabem que nesse filme há um erro grave: no final do filme anterior a esse – “Com 007 só se vive duas vezes” – Bond e Blofeld se encontram pessoalmente. Por isso seria impossível Blofeld não reconhecer Bond de cara quando esse chegasse na “clínica” nos Alpes, e vice-versa. É uma falha considerável, mas não chega a atrapalhar o filme – a atuação do ator principal se encarrega disso.

Diana Rigg

Casal de atores protagonistas se desentende durante as filmagens

A bondgirl é a inglesa Diana Rigg, que interpreta Teresa Di Vicenzo (mais conhecida como Tracy). Ela é filha de Marc Draco (Gabrielle Ferzetti), chefe de uma das maiores organizações criminosas da Itália. Inconsequente, temperamental e geniosa, Tracy vai fisgar o coração de Bond e será a única que conseguirá a proeza de levar o agente ao altar.

Apesar de serem lindos amantes no roteiro, Diana Rigg e George Lazenby não se entenderam muito bem como casal nos estúdios de gravação. Estavam sempre indispostos um com o outro e geraram inúmeras brigas e discussões durante as filmagens. O ator inclusive acusou publicamente a parceira de comer alho(!!) antes de atuarem juntos nas cenas de amor – que mesmo assim consagraram este como o mais romântico dos filmes de 007.

Pra resumir, quem assistir a 007 a serviço secreto de Sua Majestade sem saber que é uma produção da grife James Bond talvez nem perceba direito. Aqui 007 está amoroso, atencioso e gentil com as mulheres como em nenhum outro filme da franquia. No final (que é impactante e surpreendente), dá até prá fazer os mais sensíveis chorarem! Ainda bem que Sean Connery recebeu um caminhão de dinheiro para voltar com tudo no filme seguinte, Os Diamantes são Eternos, e colocar o personagem em sua rota original.

Nota CINEMAIMERI – 6.5 ***

 

Veja abaixo o trailer original do filme (em inglês)

On Her Majesty's Secret Service Trailer - Modern Style - James Bond 007

 

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